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- Capitulo 2 -

Deixei-o pra trás e não olhei para ver se ele me seguia, como ele ousava chamar o Fred de mau caráter, ele nem o conhecia, duvido que tenham trocado mais que três ou quatro palavras, mas Jake continuava a insistir que ele não era para mim.

E o que mais me machucava é que ele tinha razão, Fred não era para mim, ele é bonito, engraçado, gentil e já demonstrou que gosta de mim mais do que Jake, mas não é ele que realmente quero, era Jake, sempre foi o Jake, Jake… Jake… E ele nunca realmente percebeu, talvez nem tenha passado pela cabeça dele.

E esse é o meu maior problema, um amor não correspondido… Parece egoísta, com pessoas morrendo de fome pelo mundo afora, mas quem já sofreu disso sabe… E dói muito.

Cheguei a pensar que talvez ele sentisse por mim o mesmo que sinto por ele, todos os sorrisos e olhares, o jeito como segura meu cabelo entre os dedos, como beija minha testa ocasionalmente, mas de uns tempo pra cá ele anda afastado não almoça mais comigo, não me liga e uma vez fingiu que não me viu.

Doeu.

Resolvi seguir em frente e esse seguir em frente seria definitivamente com Fred.

- Susannah, espera.

O sinal tocou e uma enxurrada de alunos invadiu o corredor, continuei andando, sabia que não conseguiria ignorá-lo por muito tempo, tinham a próxima aula juntos, mas não queria ficar ali, tentei fugir, mas claro, não consegui…

 Continua …

Por Anellise Duarte 

Esbarrar …

Eu estava lá, na frente da escola dele, me sentindo uma idiota em querer vê-lo, tinha a sensação de que todos os cochichos e conversas eram sobre a garota ridícula parada em frente à escola, usando o uniforme de outra.

O meu coração parecia sair do peito a cada batida, eu estava nervosa, minhas mãos suavam, eu sabia que ele estava chateado comigo, eu errei, fui burra, ele disse que não queria mais me ver, que eu tinha o que queria, que era pra mim esquecê-lo, que a nossa amizade não tinha mais sentido.

Eu o usei da forma mais mesquinha que existe, culpa minha, usá-lo para fazer ciúmes em outro cara, que idiota, ainda por cima um cara que nem se importa comigo, talvez assim ele tomasse uma atitude e jogasse na minha cara que aquele cara não me ama, nunca vai me amar, que ele era a pessoa certa, mas mal sabia eu que o tiro sairia pela culatra, e cá estou eu fingindo que estou aqui por acaso e que vou simplesmente esbarrar nele sem querer.

- O que você está fazendo aqui?

A voz familiar falava do meu ouvido em algum lugar atrás de mim, me virei para o olhar, tinha uma expressão fria no rosto, seus olhos castanhos, estavam quase negros.

- Ah… Oi. – Disse, incapaz de olhar em seus olhos.

- Oi. – Ele me respondeu com frieza.

- Tudo bem com você?

- Tudo.

- Eu queria falar com você… Acho que te devo desculpas…

- A vida é sua, não me deve explicações.

- Eu só…

- Tenho que ir.

- Ok. – Disse me dando por vencida, dei um passo pra trás e esperei que ele fosse embora.

- Olha, a gente pode se encontrar no parque depois? Que tal seis da tarde?

Fiquei surpresa com o pedido e respondi feliz:

- Táh!

Enquanto ele caminhava, eu o observava, indo embora e por dois segundos quando ele olhou pra trás e os nossos olhos se encontraram, percebi que realmente o amava.

 

Continua … 

 

 

Por Anellise Duarte 

Ouvi a voz dele três ou quatro vezes hoje e em um impulso virei-me procurando seu rosto.

Será que estou ficando louca? Ou pior, apaixonada?

Não consigo entender, estou perdida em algum lugar ao lado dele e ele aqui dentro de mim sem nem ao menos saber, conectada de alguma forma, involutariamente junto a ele.

Será que isso tem cura?

Passo os dias contandos os minutos que falta para ao menos ouvir sua voz e ontem me peguei com um sorriso bobo pensando nele.

Isso é horrível, extremamente pertubador e quanto mais eu penso em não pensar nele mais sinto que meu coração paira sobre o seu?

Alguém me salve, me tire desse sofrimento tão doce e estranho que estou vivendo, ou então venha me buscar diga que me ama e que sente o mesmo.

Um pequeno e verdadeiro desabafo.

Por Anellise Duarte

“ele não gosta de você !” Parte 2

 

 

Ele não gosta de mim, eu tinha que admitir, ele não me ama, meu coração se conformou mais rápido que esperava, mais fácil do que pensei, começava a me sentir mal, já estava me perguntando se realmente o amei ou se era só o meu coração tentando me enganar, tentando me aludir.

Desde que Gabriel disse que me amava tudo mudou, eu ainda não tinha falado com ele, mas algo estava na minha garganta louco pra sair, eu não podia mais segurar, então peguei minha bolsa e sai de casa, a casa dele ficava a apenas dois quarteirões, deixei me levar pela brisa e quando percebi já tinha batido na porta, não esperei ele atender, abri a porta e subi as escadas em direção ao seu quarto.

Escancarei a porta com um baque e lá estava ele, esparramado pela cama, sem camisa, babando como um bebê, larguei a minha bolsa ali mesmo e me aproximei dele, observei-o por algum tempo e então ajoelhei ao seu lado e passei a mão por seus cabelos, senti uma vontade louca de abraçá-lo e de deitar ao seu lado, mas me contive.

- Que bom que você veio, pensei que você nunca mais falaria comigo.

Apenas sorri enquanto ele abria os olhos.

- Senti sua falta. – Respondi-lhe.

- Eu também.

Ele se levantou e eu levantei-me junto.

- Eu quero falar uma coisa pra você. – Disse olhando para baixo.

Olhei para ele, tomei a maior coragem que pude e despejei.

- Você demorou demais para me dizer o que sentia, mas o que quero mesmo é que você saiba que agora eu consigo ver, eu te amo também.

Ele olhou para mim com um sorriso vitorioso, abraçou-me pela cintura e me levantou do chão.

- Eu sabia que você iria ver.

FIM

 

Por Anellise Duarte

FORTE DEMAIS

Eu estava no quarto, absorta em um mundo que não era meu, mas que me fascinava, estava lendo Dom Casmurro de Machado de Assis o meu livro preferido na literatura brasileira, quieta, estava chovendo e o dia estava propicio para sonecas, então ouvi um carro, ele parou em frente a minha casa com o som muito alto, tocava uma música incomodante, ouvi o bater de porta, alguns passos e o som do portão de casa ser murado com violência. Não me preocupei em saber quem era, não me importava, ouvi minha mãe abri o portão e depois mais passos.

Algo se posicionou à minha frente, levantei a cabeça para identificar o ser que estava me atrapalhando bem no capítulo “O Penteado” e lá estava ele, bem na minha frente, pulei da cama, onde estava sentada e grudei em seu pescoço.

- Eu não acredito, é você! Eu estava tão preocupada.

Afastei-me dele e o olhei dos pés à cabeça, verificando se ele ainda tinha todos os membros, estava todo de preto, jaqueta, camiseta, calça jeans e tênis, tinha o olhar sombrio e os cabelos molhados sobre a testa.

- Você está bem, está inteiro?

Ele não me respondeu, apenas continuou olhando para mim sem ao menos piscar. Segurei seu rosto entre minhas mãos, entrelacei os dedos em seus cabelos e toquei seus lábios com os meus, num beijo singelo e mais rápido do que gostaria, e o abracei novamente.

- Senti tanto a sua falta…

Ele afagou os meus cabelos e disse por fim.

- Eu também senti a sua, por isso que voltei.

Um dia minha mãe me perguntou se eu era apaixonada por ele, mas não, eu não era e só naquele momento eu percebi, que não era aquelas paixonites agudas que passam em menos de dois meses, era mais do que isso e eu não podia explicar o que sentia, era forte demais.

 Por Anellise Duarte 

Como Senti Sua Falta …

Era ótimo sentir a areia debaixo dos meus pés, micros partículas de rocha procurando espaço entre meus dedos, podia sentir o cheiro de água salgada no ar, podia ouvir as ondas quebrarem na areia sem parar e algumas gaivotas voando e podia sentir o calor do sol adentrando pelos meus poros.

Eu senti tanta falta disso, de andar descalça, de sorrir, de repirar, senti falta dele, senti falta do cheiro que ele exalava, do jeito que ele me olhava, de como cheirava os meus cabelos, do seu ciúmes lisonjeiro, do jeito que fechava os olhos quando estava impaciente e de como era bom estar perto dele.

Eu não conseguia parar de sorrir, era tão bom sentir o braço dele ao redor da minha cintura, tinha certeza que naquele exato momento eu era a garota mais feliz do mundo, simplesmente por estar em casa e por está com o garoto que sempre amei.

- No que você esta pensando? – Ele me perguntou enquanto afagava meus cabelos.

-Em como senti sua falta, eu te amo!

Por Anellise Duarte

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